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Como baterias de carros elétricos podem ajudar a evitar interrupções de energia

Interrupções no fornecimento de energia elétrica podem causar impactos para residências, empresas e serviços essenciais. Seja durante desligamentos program...

Como baterias de carros elétricos podem ajudar a evitar interrupções de energia
Como baterias de carros elétricos podem ajudar a evitar interrupções de energia (Foto: Reprodução)

Interrupções no fornecimento de energia elétrica podem causar impactos para residências, empresas e serviços essenciais. Seja durante desligamentos programados para manutenção da rede ou em situações emergenciais, manter o abastecimento é um dos principais desafios enfrentados pelas concessionárias de energia. Para responder a essa necessidade, um projeto desenvolvido pela Celesc, pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e pela Fundação Stemmer para Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (FEESC) está criando uma solução inédita no Brasil: um Sistema Transportável de Armazenamento de Energia em Baterias (STAEB), capaz de fornecer energia temporariamente em diferentes pontos da rede elétrica. Com investimento de R$ 11,36 milhões, a iniciativa integra o Programa de Pesquisa e Desenvolvimento da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). Desse total, R$ 10,26 milhões são provenientes da Celesc e R$ 1,09 milhão correspondem à contrapartida da UFSC. A FEESC é responsável pela gestão administrativa e financeira do projeto, que tem execução prevista entre novembro de 2023 e outubro de 2027. Baterias de carros elétricos ganham nova função no setor de energia Divulgação/FEESC Uma "usina móvel" para dar mais flexibilidade à rede elétrica O sistema está sendo desenvolvido sobre um semirreboque especialmente projetado para transportar um conjunto de baterias novas e baterias reutilizadas de veículos elétricos, além de um gerador a diesel utilizado como sistema de apoio. A principal vantagem é a mobilidade: a estrutura poderá ser deslocada para diferentes regiões conforme a necessidade da distribuidora, oferecendo suporte durante desligamentos programados, interrupções emergenciais ou períodos de maior demanda por energia. Na prática, a tecnologia funcionará como uma unidade móvel de armazenamento de energia, ampliando a capacidade de atendimento da rede em situações específicas e permitindo avaliar, em condições reais de operação, uma aplicação ainda pouco explorada no país. Projeto catarinense reaproveita baterias de carros elétricos para evitar apagões Divulgação/FEESC O que baterias de carros elétricos ainda podem oferecer? Um dos diferenciais do projeto está na utilização de baterias em "segunda vida". Quando baterias de íons de lítio utilizadas em veículos elétricos chegam a aproximadamente 80% de sua capacidade original, elas deixam de ser consideradas ideais para a mobilidade. No entanto, ainda possuem desempenho suficiente para aplicações estacionárias, como o armazenamento de energia. Em vez de serem descartadas, essas baterias podem ganhar uma nova função, prolongando sua vida útil e reduzindo os impactos ambientais associados ao descarte de equipamentos de alto valor tecnológico. Além do aspecto ambiental, essa estratégia também busca demonstrar a viabilidade técnica e econômica desse reaproveitamento, transformando um material que poderia se tornar descarte em uma solução para o setor elétrico. “Com o advento dos carros elétricos, nós enfrentamos um problema ambiental: as baterias são retiradas dos veículos quando atingem 80% de uso, precisando serem trocadas, pois não possuem mais autonomia. Dessa forma, nosso projeto tem o intuito de reutilizar essas baterias de segunda vida, que ainda podem durar de 8 a 10 anos, no setor de energia elétrica. Nós estamos testando o comportamento delas, bem como seus impactos no setor. Nosso maior objetivo é transformar um passivo ambiental em um ativo empresarial”, destaca Helena Naspolini, coordenadora do projeto STAEB. Celesc testa baterias reaproveitadas para manter energia durante interrupções Divulgação/FEESC Pesquisa conecta universidade, empresas e setor público Além da Celesc, da UFSC e da FEESC, o projeto conta com a participação da WEG Equipamentos Elétricos S.A., responsável pelo desenvolvimento do protótipo do sistema de armazenamento, e da Trucvan Indústria e Comércio Ltda., encarregada da fabricação do semirreboque especialmente projetado para receber o equipamento. Essa integração entre universidade, setor produtivo e concessionária de energia permite que o conhecimento científico seja transformado em soluções com potencial de aplicação prática. Nesse processo, a FEESC atua como responsável pela gestão administrativa e financeira do projeto, contribuindo para que pesquisadores, instituições públicas e empresas trabalhem de forma integrada durante todas as etapas de desenvolvimento. Esse modelo de cooperação tem se tornado uma das formas de acelerar a inovação em projetos de pesquisa, aproximando o conhecimento produzido nas universidades das necessidades da sociedade. “A FEESC se destaca na gestão de projetos complexos, como o Projeto CELESC de Sistema Transportável de Armazenamento de Energia em Baterias, garantindo transparência, conformidade fiscal e eficiência na aplicação de recursos. A robustez na gestão administrativa e financeira pela FEESC é reforçada por mecanismos de governança, integridade e prestação de contas, com um painel de inteligência de dados integrando as diversas estruturas da Fundação em tempo real” destaca Luiz Felipe Ferreira, Diretor Presidente da FEESC. "Usina móvel" com baterias pode reforçar o fornecimento de energia em emergências Divulgação/FEESC Um projeto que pode contribuir para o futuro da distribuição de energia Além de oferecer suporte durante interrupções no fornecimento de energia, o projeto permitirá avaliar, em ambiente real, o comportamento de sistemas transportáveis de armazenamento em redes de distribuição, gerando informações que poderão contribuir para futuras aplicações dessa tecnologia no Brasil. “O projeto que estamos desenvolvendo aqui é inédito mundialmente. Nunca antes o uso de baterias de segunda vida foi aplicado na rede elétrica. Isso coloca a Celesc num patamar elevado em termos de pesquisa e inovação. A empresa ganha valor, mostrando que o Brasil e Santa Catarina têm capacidade de inovação, e isso chama a atenção do resto do mundo. Além disso, a sociedade se beneficia dessa pesquisa, pois estamos transformando um passivo ambiental em um ativo que trabalhe pelo povo catarinense” afirma Leonardo Pacheco, gerente do projeto na Celesc. Saiba mais sobre esse e outros projetos de pesquisa administrados pela FEESC nas redes sociais da Fundação clicando aqui.

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