'X-Tudo': Justiça mantém pena de prisão de médico por combo de plásticas em paciente de SC
Justiça mantém pena de prisão a médico por combo de plásticas em paciente de SC A Justiça manteve a condenação do médico Marcelo Evandro dos Santos por...
Justiça mantém pena de prisão a médico por combo de plásticas em paciente de SC A Justiça manteve a condenação do médico Marcelo Evandro dos Santos por lesão corporal gravíssima após um combo de cirurgias em uma paciente de Florianópolis que sofreu necrose e queimaduras. A pena de 5 anos de prisão em regime semiaberto e indenização de R$ 500 mil foi confirmada na quarta-feira (9). O cirurgião havia sido condenado em outubro de 2025, mas tanto a defesa do réu como a assistente da acusação apelaram da sentença. No processo, o Ministério Público (MP) chegou a chamar o combo de cirurgias feitas de uma só vez de "X-Tudo". A defesa do médico disse que ele não está cumprindo a pena pois a decisão ainda não transitou em julgado. Afirmou ainda que o processo está sujeito à interposição de recursos, que os pontos do processo não foram devidamente analisados e que irá recorrer da decisão (íntegra no fim do texto). ✅Clique e siga o canal do g1 SC no WhatsApp Após a interdição cautelar aplicada pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de Santa Catarina (CRM-SC), com prazo máximo de 12 meses, ele voltou a exercer a medicina. Procurado, o órgão disse que a conduta ética do profissional segue sendo apurada em um processo sigiloso e em fase final de tramitação (íntegra da nota no fim do texto). 🤔⚠️ Regime semiaberto é quando o preso passa parte do dia no trabalho ou estudando e retorna para a unidade prisional à noite, para dormir. Letícia mostra como ficou após procedimento Reprodução/NSC TV Processo Ao analisar o recurso, a 4ª Câmara Criminal do Tribunal manteve a pena de 5 anos de reclusão, assim como o regime inicial semiaberto e a impossibilidade de substituição da pena por restritivas de direitos. O relator do processo propôs R$ 50 mil por danos morais e afastou a fixação imediata de danos materiais, por entender necessária a apuração individualizada das despesas e dos tratamentos. A maioria dos magistrados, porém, considerou a extensão dos danos físicos, funcionais, estéticos e psicológicos e fixou a reparação em R$ 500 mil. Quem é o cirurgião condenado por lesões Cirurgia Santos foi condenado por lesão corporal contra Letícia Mello, que sofreu queimaduras, bolhas, necroses e perda de tecido. A paciente passou 11 dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e ficou mais de dois meses internada quando fez os procedimentos em 2024. Segundo os autos, a mulher foi submetida, em um único ato cirúrgico, a mamoplastia com próteses, lipoaspiração de diversas regiões do corpo e aplicação de radiofrequência. O procedimento durou aproximadamente 10 horas. No período pós-operatório, ela apresentou anemia aguda e necessidade de transfusão. Segundo o Tribunal de Justiça (TJ), laudos constataram, entre outras consequências, perigo de vida, debilidade permanente das mamas, redução da amplitude dos movimentos do tronco e deformidade estética permanente. O que disse a defesa A defesa do Dr. Marcelo Evandro dos Santos esclarece que ele não está cumprindo pena, uma vez que a decisão judicial ainda não transitou em julgado. Embora tenha havido a confirmação da condenação pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina, o processo ainda está sujeito à interposição de recursos. A defesa entende, com o devido respeito ao entendimento adotado pelo Tribunal, que pontos relevantes apresentados ao longo do processo não foram devidamente analisados. Diante disso, a defesa informa que não se furtará ao direito de recorrer da decisão e adotará todas as medidas jurídicas cabíveis junto aos tribunais superiores. A defesa buscará uma nova análise de toda a questão pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), incluindo os pontos apresentados ao longo do processo e que, no entendimento da defesa, merecem uma nova apreciação. O que disse o CRM O Conselho Regional de Medicina do Estado de Santa Catarina (CRM-SC) informa que a interdição cautelar aplicada ao médico mencionado chegou ao término do prazo máximo de 12 meses, ao final de março de 2026. Conforme estabelece o Código de Processo Ético-Profissional, não há previsão para nova prorrogação da medida. O CRM-SC esclarece ainda que a conduta ética do profissional segue sendo apurada pela Corregedoria do Conselho, por meio de Processo Ético-Profissional, que tramita sob sigilo, conforme determina a legislação vigente. O processo encontra-se em fase final de tramitação, com data de julgamento já fixada. O CRM-SC reforça seu compromisso com a apuração rigorosa dos fatos, o cumprimento das normas que regem os processos ético-profissionais e a garantia do devido processo legal. VÍDEOS: mais assistidos do g1 SC nos últimos 7 dias